sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Atlas




Daniele Trindade Cabral


Atlas , filho de Gaia com Urano , também conhecido como Atlante foi um titã grego condenado por Zeus a sustentar o céu para sempre. Em representações artísticas ele sempre aparece curvado levando o globo terrestre nas costas. Atlas teria sido o primeiro rei da mítica Atlântida. Era casado com Pleione com quem teve sete filhas, as chamadas de Plêiades. Curioso porque há uma constelação com um aglomerado de estrelas que vistas a olho nu parecem uma só e levam os nomes das filhas de Atlas. As nove estrelas mais brilhantes nas Plêiades tem os nomes das Sete Irmãs: Asterope , Mérope, Electra, Celeno, Taigete, Maia e Dríope, junto com seus pais Atlas e Pleione.



O termo atlante, em arquitetura, refere-se a um tipo de coluna esculpida em forma de um homem. O atlante apresenta os braços erguidos sobre a cabeça, como que a suportar o peso da construção onde se encontra inserido. O trabalho escultórico cria uma figura completa a três dimensões onde parece haver um homem suportando todo o peso da construção.


O Atlas é ainda a Cordilheira que ergue-se para o céu, separando o norte da África da Europa, segundo uma versão existente Atlas foi posteriormente libertado de seu fardo e tornou-se guardião dos Pilares de Hércules, sobre os quais os céus foram colocados, e que também eram a passagem para o lar oceânico de Atlântida que hoje é o Estreito de Gibraltar.


Conforme narra Platão, a Atlântida era uma ilha gigante - maior que a Ásia Menor e a Líbia juntas (ou seja, a parte asiática da Turquia e uma parte da porção norte da África). Estava localizada além do atual Estreito de Gibraltar, conhecido então por Pilares de Hércules. Ainda segundo o filósofo, os ambiciosos habitantes da Atlântida chegaram a conquistar grandes territórios da Europa e da África, até serem derrotados pelos atenienses e seus aliados, antes da tragédia encomendada pelos deuses. A lenda foi usada por Platão em dois de seus escritos, Crítias e Timeu, para descrever uma sociedade ideal, destruída em razão de seus próprios vícios. Ou seja, era um modelo para inspirar os cidadãos atenienses de sua época. A história, contada por meio de um diálogo entre Crítias e Sócrates, filósofo grego de quem o próprio Platão havia sido discípulo, espalhou-se pelo mundo árabe e, séculos mais tarde, foi recuperada no Ocidente.

Cartograficamente, ao coletivo de mapas se dá o nome de Atlas que significa coleção de cartas que representam o planeta Terra, uma clara alusão à influência do titã na história da humanidade segundo a mitologia.

Na medicina Atlas nomeia a primeira vértebra da coluna cervical, uma clara referência ao local onde sustentava o peso a que fora condenado suportar.


Ayn Rand, uma escritora e filósofa estado-unidense de origem judaico-russa escreveu o livro chamado A revolta de Atlas onde os filósofos e inventores suportam o peso de um mundo decadente enquanto são explorados pelos outros que não reconhecem o valor do trabalho e da dedicação à produtividade, se valem da corrupção, da mediocridade e da burocracia para impedir o progresso individual e da sociedade. Ayn Rand desenvolveu um sistema filosófico chamado de Objetivismo no qual assere que, dentre outros desígnios, cada indivíduo deve ser dono e controlador do próprio entusiasmo para produzir e ser eficaz em escala cada vez maior.

Atlas se tornou referência histórica para a concepção de denominações geográficas, médicas, astronômicas, filosóficas, bem como contexto de uma experiência fortalecedora. Talvez não haja melhor exemplo da perspectiva humana e de nossos conceitos que a história deste Titã grego, imagem do nosso mundo nas costas de alguém/alguns ou de nós mesmos.

Muito embora não concorde com determinados pontos da teoria objetivista de Ayn Rand o fato é que a alusão feita ao nosso tão explanado Atlas não foi em vão. A carga do mundo é muito pesada para ser suportada por poucos, é necessário que haja uma revolução de pensamento para que a vida deixe de ser uma mera distração e passe a ser o fruto de nossas opções reais com escolhas conscientes.


Escritura na base da estátua Atlas de bronze situada na 5ª Avenida, entre as ruas 50 e 51. Obra de Lee Lawrie, foi instalada em 1937. Rockefeller Center/NY:

"Eu acredito no valor supremo do indivíduo e no seu direito à vida, à liberdade e à buscar felicidade.

Eu acredito que todo direito implica em uma responsabilidade; toda oportunidade, uma obrigação; toda posse, um dever.

Eu acredito que a lei foi feita para homens e não os homens para as leis; que o governo deve servir o povo e não ser seu mestre.

Eu acredito na dignidade do trabalho, que o mundo não deve sustento a nenhum homem mas deve a todo homem uma oportunidade de criar o seu sustento.

Eu acredito que a temperança é essencial à ordem e que a economia é o requisito primário para uma sólida estrutura financeira, seja no governo, nos negócios ou nos relacionamentos.

Eu acredito que a verdade e a justiça são fundamentais para uma ordem social duradoura.

Eu acredito na santidade de uma promessa, que a palavra de um homem deve ser tão boa quanto seu vínculo; que o caráter - não a riqueza ou poder ou posição - é o valor supremo.

Eu acredito que a prestação de um serviço útil é o dever comum da humanidade e que apenas no fogo purificador do sacrifício é que a escória do egoísmo é consumida e a grandeza da alma humana é liberada.

Eu acredito em um todo-sábio e todo-amoroso Deus, seja ele chamado por qualquer nome, e que a maior satisfação do indivíduo, a maior felicidade, e a mais ampla utilidade encontram-se em viver em harmonia com a Sua vontade.

Creio que o amor é a coisa mais maravilhosa do mundo, que só ele pode superar ódio; esse direito pode e deve triunfar sobre o poder."

(John D. Rockefeller Jr.)

7 comentários:

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  3. Daniele Cabral, seu espaço é de uma riqueza, qualidade cultural fenomenal. É admirável, arrebatador a forma como conduz as palavras, como expressa sua opinião acerca de um tema, que pra muitos é ilusório, banal e caem em tinta negra a borra uma tela, a qual por trás traz um significado que nos reflete em dias atuais. Quem dera, pessoas com seu teor, tino literário vomitasse aos quatro cantos da terra, e o shofar para despertamento da nossa geração que trilha em futilidades e leituras tão sem conteúdos e que apregoa seres dominados e mentes infrutíferas. Concordo plenamente, 'assino' no que abordasse, em que 'a carga do mundo é muito pesada para ser suportada por poucos, é necessário que haja uma revolução de pensamento para que a vida deixe de ser uma mera distração e passe a ser o fruto de nossas opções reais com escolhas conscientes'.

    Parabéns pelo blog e com certeza seu espaço tornou minha parada obrigatória.

    Abraços

    Priscila Cáliga

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  4. "A carga do mundo é muito pesada para ser suportada por poucos, é necessário que haja uma revolução de pensamento para que a vida deixe de ser uma mera distração e passe a ser o fruto de nossas opções reais com escolhas conscientes."

    =)

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  5. Daniele Cabral, agradeço-te também pela visita minha cara, sinto-me honrada. E permaneço na fala de que é admirável deparar com seu canto de qualidade cultural e escrita fenomenal; raridade um ser com seu teor e vocação atitudinal de impacto. Sua captura, e elaboração, faz com que minha retina perca-se em ganho incalculável, portanto, seus dedos um vendaval à condução do horizonte, sua tela esmiuça primor e aguçar de todas as minhas partículas existenciais neste globo, como um pleno e sublime descortinar.

    Parabéns!

    Priscila Cáliga

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  6. Sensacional, muito bom. Mitologia é simplesmente demais, fico fascinado.

    Parabéns!

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