terça-feira, 20 de abril de 2010

Entre quatro paredes...



Para todos que me conhecem não é difícil saber qual é um dos meus livros favoritos:

“Entre Quatro Paredes” Jean Paul Sartre

Jean Paul Sartre consegue ser sucinto ao falar de como é a dinâmica de relacionamento humano na busca da sinceridade filosófica, algo denso (reconheço) mas muito interessante. No campo do existencialismo Sartre mostra no texto de sua peça teatral a história de Inês, Estelle e Garcin, personagens presos entre si pelo fato de estarem presos em uma sala (inferno) que não tem saída nem janelas.



Condenados a passarem a eternidade juntos mostram, pela dinâmica do convívio, que “o inferno são os outros” pois por conveniências não conseguem alcançar a sinceridade entre eles e os motivos são simples: sentimentos!

O inferno são os outros... (Sartre)

Sartre montou com perspicácia a delicadeza da busca pela verdade. Gancin, um dos personagens se sente carente em ter alguém para discutir sobre a legalidade de sua condenação, sabe que não pode obter uma resposta sincera de Estelle pois ela será conveniente em dizer que sua condenação foi injusta pois ela o ama, já Inês também não poderá emitir uma resposta imparcial porque não gosta de Garcin. Ou seja...

Os sentimentos, na maioria das vezes, traduzem verdades convenientes ao seu portador.

Ao analisar a obra encontramos inúmeras interpretações existencialistas para o fato de se poder contar com o espírito crítico de uma pessoa. O que pessoalmente acho é que existem parâmetros que não foram citados no livro e que só chegamos a eles depois de acesa a fagulha da reflexão... Será que eu posso ser sincero, amar e não machucar quem amo com a verdade?!



Não só podemos como devemos nos esforçar para sermos dignos da nobreza do sentimento mais rematado que é o amor pelo outro. A leitura do livro nos abre arestas para compormos uma função que movimentará nossa disposição em sermos melhores no ato de gostar e vai além, porque nos instiga a questionarmos os motivos reais que nos levam a acreditar no que falamos.


“A arte de interrogar é bem mais a arte dos mestres do que as dos discípulos; é preciso ter já aprendido muitas coisas para saber perguntar aquilo que não se sabe.”


Para nos conhecermos enquanto seres humanos não nos basta proferir o que pensamos, mas observarmos de forma firme como procedemos, se torna indispensável refletir sobre o reflexo das nossas ações para o mundo.

O pai do existencialismo tem como ponto imediato de seus trabalhos a LIBERDADE. Ele remonta todo o contexto de liberdade e me intriga porque ao ler o livro Téte-a-Tete, que conta a sua história com a também filósofa Simone de Bouvoir. Fiquei atordoada com a forma como se tratavam mas não se separavam, um relacionamento que demostrava mais amor que a fidelidade hipócrita da época, no entanto tudo muito inovador e avassalador para a minha compreensão e aceitação – o que pode ser um exercício de reflexão sobre como compreender a conduta humana ao expressar sentimentos.



Como se manifesta o compromisso com o que nos rodeia?


Por fim, uma figura encantadora, um intelectual completo que me fez apreciar a obra por sua consciência crítica e peculiaridade ao explorar a nossa consciência sobre a condição humana, liberdade e conduta.

Um comentário:

  1. Post FANTÁSTICO!!! MUITO BEM ESCRITO, MUITO INTERESSANTE, estou curiosíssimo! Vou na livraria cultura (assim q terminar de arrumar minha biz :-P) e quero ver esse livro! Se não tiver lá, vou procurar na net pra baixar :D

    Nem acredito que isto (o blog, os posts) está acontecendo! Quis TANTO isso e já de cara tá indo melhor do q eu sonhava! =D

    beijos queridaaaa!!!!!!

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